Choquei Notícias

Ausência de planejamento financeiro eleva risco de dependênc

Estudo aponta que 60% dos brasileiros esperam viver da previdência pública, enquanto apenas 16% possuem reservas para a aposentadoria, gerando um alerta sobre o

Estudo aponta que 60% dos brasileiros esperam viver da previdência pública, enquanto apenas 16% possuem reservas para a aposentadoria, gerando um alerta sobre o futuro.

A estabilidade financeira de uma parcela expressiva da população brasileira enfrenta desafios crescentes, conforme revelam indicadores recentes. De acordo com o Raio X do Investidor Brasileiro de 2025, elaborado pela ANBIMA em parceria com o Datafolha, 60% dos trabalhadores ativos projetam que o INSS será o pilar de sua sustentação na aposentadoria. Contudo, a realidade costuma ser ainda mais restritiva: entre os brasileiros que já se aposentaram, 93% dependem quase inteiramente dos benefícios previdenciários públicos.

Esse cenário evidencia um descompasso preocupante entre as expectativas dos cidadãos e a viabilidade prática de seus planos de longo prazo. Atualmente, apenas 16% dos brasileiros iniciaram a formação de uma reserva financeira específica para o período de inatividade. Essa lacuna entre a dependência projetada e a falta de preparo estruturado cria um risco sistêmico, sugerindo que milhões de pessoas poderão enfrentar uma redução drástica em seu padrão de vida ou ser compelidas a postergar a saída do mercado de trabalho.

Para Gilvania Rufino, líder da XP em Mato Grosso, o problema central não reside apenas na utilização do INSS, mas na exclusividade dessa fonte de renda. Sem a construção de um complemento financeiro, a manutenção do estilo de vida torna-se insustentável. A especialista observa que o comportamento humano, que frequentemente adia o planejamento por considerar a aposentadoria um evento distante, acaba transformando o tempo — que deveria ser um aliado — em um fator de pressão adicional.

Em Mato Grosso, a urgência do tema é amplificada pelo fenômeno do envelhecimento populacional. Dados do IBGE indicam que, entre 2010 e 2025, o contingente de pessoas com 60 anos ou mais no estado saltou de 240 mil para 469 mil, um incremento superior a 95%. Esse dado reforça a necessidade de estratégias de longo prazo que garantam autonomia e segurança financeira para além da previdência oficial.

Apesar da relevância do tema, o planejamento financeiro ainda não é uma prioridade na rotina da maioria das famílias, que tendem a focar em demandas imediatas. Segundo Rufino, existe uma percepção equivocada de que sempre haverá tempo para começar, mas o adiamento constante exige um esforço muito maior no futuro. A recomendação é iniciar a organização das finanças com pequenos passos, estabelecendo o hábito de investir de forma consistente.

Para diversificar as fontes de renda, o mercado oferece diversas alternativas, desde ativos de renda fixa até fundos de investimento adaptados a diferentes perfis. A previdência privada, por exemplo, destaca-se como uma ferramenta estruturada para o longo prazo. Entre as opções, o PGBL é frequentemente indicado para quem utiliza o modelo completo de declaração do Imposto de Renda, permitindo deduções fiscais, enquanto o VGBL é mais comum para quem opta pelo modelo simplificado ou busca estratégias de sucessão patrimonial.

A construção de uma aposentadoria tranquila não ocorre de forma isolada, mas sim por meio de um processo contínuo e disciplinado. Embora a educação financeira tenha avançado no país, ela ainda não se traduziu em uma preparação efetiva para a longevidade. Caso o comportamento atual persista, a pressão sobre o sistema previdenciário público tende a se agravar, tornando o planejamento financeiro pessoal uma necessidade inadiável para assegurar um futuro com maior estabilidade e menor vulnerabilidade econômica.

Fonte: rdnews.com.br