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Desembargador concede prisão domiciliar a vendedora investig

Vitória Sara Bezerra Lupatini, apontada como líder de um esquema de desvio de veículos em Sorriso, obteve o benefício da prisão domiciliar por decisão do TJ-MT.

O desembargador Orlando Perri, integrante do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), deferiu o pedido de prisão domiciliar em favor da vendedora de automóveis Vitória Sara Bezerra Lupatini. A investigada é apontada pelas autoridades como a principal articuladora de um suposto esquema de desvio de veículos que teria movimentado cerca de R$ 50 milhões no período de um ano, na cidade de Sorriso.

A decisão judicial foi formalizada no último sábado (29). Vitória Sara estava sob custódia desde a quinta-feira anterior (27), momento em que se apresentou voluntariamente à Polícia Civil após ter sido alvo da Operação Pátio Paralelo , deflagrada para desarticular a organização criminosa.

Ao fundamentar sua decisão, o magistrado destacou a condição pessoal da investigada, que possui uma filha de apenas 4 anos. Perri ressaltou que os delitos imputados a ela não envolvem o emprego de violência ou grave ameaça contra a criança ou qualquer outro dependente, o que ampara a concessão da medida cautelar domiciliar.

Outro ponto determinante para o magistrado foi a postura de Vitória ao se entregar à delegacia logo após o início da operação policial. Segundo o desembargador, esse comportamento voluntário afasta, neste momento, o risco de fuga, permitindo que a acusada responda ao processo sob restrições em sua residência.

A decisão impõe condições rigorosas: a investigada deve manter seu endereço e número de telefone permanentemente atualizados junto ao Judiciário. Além disso, está proibida de manter qualquer tipo de contato com as vítimas identificadas durante o inquérito policial. O descumprimento de qualquer dessas medidas pode resultar na revogação do benefício e na decretação de uma nova prisão preventiva.

As investigações apontam que o grupo criminoso utilizava a fachada e a credibilidade de uma concessionária para atrair clientes. O golpe consistia em convencer os consumidores a entregarem seus veículos usados como parte do pagamento na aquisição de automóveis novos. Após a negociação, o grupo descontava os valores na empresa, mas desviava os veículos para garagens particulares dos envolvidos.

Vitória Sara, segundo a polícia, desempenhava um papel central na captação de clientes e na condução das tratativas comerciais. Ela seria a responsável por receber os veículos, induzir as vítimas a efetuarem pagamentos e gerenciar a movimentação dos recursos financeiros obtidos ilicitamente pelo grupo.

Para viabilizar a Operação Pátio Paralelo , a Justiça expediu mais de 20 ordens judiciais. Entre as medidas autorizadas, destacam-se um mandado de prisão preventiva, sete mandados de busca e apreensão, nove ordens de quebra de sigilo bancário e cinco determinações de bloqueio de ativos financeiros, além de outras medidas cautelares de natureza patrimonial.

Os mandados de busca permitiram o recolhimento de diversos itens, como celulares, computadores, notebooks, tablets, HDs, pendrives, cartões de memória, além de contratos, registros financeiros e documentos que comprovam as transações. A apreensão de veículos também foi autorizada para compor o conjunto probatório.

Por fim, a autorização judicial para a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados é considerada fundamental pela Polícia Civil. Com esses dados, os investigadores pretendem reconstruir o fluxo financeiro, identificar a origem e o destino final do dinheiro, além de analisar o conteúdo das comunicações armazenadas nos dispositivos eletrônicos apreendidos.

Fonte: midianews.com.br