Choquei Notícias

Seguro rural em MT: adesão segue baixa apesar do El Niño

Adesão ao seguro rural em Mato Grosso é baixa diante dos riscos do El Niño. Entenda como a nova lei busca proteger o agronegócio. Confira agora.

O seguro rural apresenta-se como uma ferramenta financeira essencial diante da instabilidade provocada pelo El Niño e os riscos crescentes para o agronegócio em Mato Grosso. Contudo, mesmo com a maior frequência de fenômenos climáticos destrutivos, a adesão a esse mecanismo de proteção permanece em níveis baixos no estado.

Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indicam que, até setembro deste ano, apenas 90 produtores foram atendidos pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Foram registradas 99 apólices, cobrindo uma área total de 15,7 mil hectares em solo mato-grossense.

Desafios e riscos do seguro rural

A baixa cobertura preocupa especialistas, especialmente diante da previsão de instabilidade climática severa. Na região Centro-Oeste, o El Niño costuma causar estiagem, calor excessivo e elevar o risco de incêndios florestais. A escassez hídrica durante o desenvolvimento da soja já gerou quebras de safra e endividamento no passado.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) projeta 97% de probabilidade de o fenômeno atingir alta intensidade até o final de 2026. Existe ainda uma chance de 75% de que este evento supere a força de todos os registros desde 1950, o que traz um potencial elevado de destruição para o campo.

Segundo Cleiton Gauer, superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a resistência dos produtores ocorre por diversos fatores:

Custo elevado das apólices, que ainda são vistas como pouco atrativas. Percepção de que o produtor local subsidia indenizações pagas na região Sul. Necessidade de maior conscientização sobre a perpetuidade do negócio. O especialista destaca que o produtor mato-grossense sente o peso de pagar uma conta diluída nacionalmente. Se a análise de risco fosse exclusiva para Mato Grosso, o custo do seguro poderia ser menor, mas as seguradoras distribuem os prejuízos de áreas mais afetadas por eventos severos.

Além disso, a falta de proteção impacta toda a economia regional. Perdas severas no campo refletem diretamente no comércio e na arrecadação pública. Para conferir mais detalhes sobre o setor, acesse nossas últimas notícias .

Cleiton defende que ampliar mecanismos de prevenção é mais eficiente do que socorrer o setor após crises. O seguro rural, portanto, reduz a necessidade de injeções emergenciais de recursos públicos, funcionando como uma estratégia mais salutar para a estabilidade do agronegócio.

Recentemente, a Lei nº 15.526/2026 trouxe mudanças importantes para o setor. A legislação transformou a subvenção ao seguro em despesa obrigatória, blindando o PSR contra cortes orçamentários. Em contrapartida, os produtores deverão compartilhar dados operacionais para aprimorar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).

A Aprosoja-MT reforça que a previsibilidade orçamentária é fundamental. Com a nova regulamentação e a transparência de dados, espera-se que o custo das apólices diminua e a adesão dos agricultores mato-grossenses cresça nos próximos anos.

Fonte: rdnews.com.br