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Islândia rejeita retomada de negociações para adesão à União

Em votação apertada, eleitores islandeses decidiram não retomar as conversas para integrar o bloco europeu. O resultado encerra o debate político por dois anos.

A proposta de retomar as negociações para a adesão da Islândia à União Europeia foi rejeitada pela população em um referendo marcado por uma disputa acirrada. De acordo com dados divulgados pela emissora pública RÚV, o campo do “Não” obteve a vitória com 52,8% dos votos, totalizando 118.040 sufrágios, enquanto a opção pelo “Sim” alcançou 47,2%, com 105.399 votos.

O processo eleitoral contou com uma participação expressiva, registrando 225.031 votos, o que representa uma taxa de comparecimento de 82,5% do eleitorado. A decisão deve retirar o tema da adesão ao bloco europeu da pauta política nacional por, no mínimo, os próximos dois anos.

A distribuição dos votos revelou um contraste geográfico significativo. Enquanto os centros urbanos, especialmente a capital Reykjavik, mostraram inicialmente uma tendência favorável à integração, as regiões rurais e comunidades costeiras foram decisivas para a vitória do “Não”. Em áreas voltadas à pesca, a oposição às normas europeias sobre cotas de captura superou a marca de 65%.

Historicamente, a Islândia buscou a aproximação com a União Europeia após a crise financeira de 2009, que abalou severamente a economia local. Contudo, o processo foi interrompido em 2013 com a ascensão de uma coalizão eurocética ao poder. O atual governo social-democrata, liderado pela primeira-ministra Kristrún Frostadóttir, tentou reabrir o dossiê este ano, argumentando que a volatilidade do cenário internacional exigia uma reavaliação dos laços com Bruxelas.

É importante destacar que, independentemente do resultado do pleito, a relação prática da Islândia com o bloco europeu permanece inalterada. O país continua integrado ao Espaço Econômico Europeu e participa da zona Schengen, garantindo a livre circulação de pessoas sem a necessidade de controle de passaportes.

Embora o referendo não possua caráter vinculativo do ponto de vista jurídico, o governo islandês assumiu o compromisso público de acatar a vontade expressa nas urnas. A apuração foi tensa e acompanhada de perto até o último momento, com o círculo eleitoral do Sudoeste — que engloba cidades-satélite próximas à capital — sendo o fiel da balança para consolidar o resultado final.

A contagem nacional oscilou durante toda a madrugada. O ponto de inflexão ocorreu por volta das 7h00 CET, quando a região agrícola do norte, tradicionalmente utilizada como termômetro eleitoral, confirmou uma vantagem de 60% para o “Não”. A partir desse momento, a tendência de vitória da oposição à adesão se estabilizou.

Para analisar os desdobramentos do pleito, a primeira-ministra Kristrún Frostadóttir, acompanhada da ministra dos Negócios Estrangeiros, Þorgerður Katrín Gunnarsdóttir, e da ministra da Educação e das Crianças, Inga Sæland, agendaram uma conferência de imprensa. O objetivo é debater o impacto do resultado com os líderes partidários e esclarecer as próximas etapas da política externa do país.

Os resultados detalhados por região foram: no Sul, o “Não” venceu com 60,5%; no Noroeste, com 62,9%; no Nordeste, com 61,2%; e no Sudoeste, com 53,0%. Com o encerramento da contagem, o governo se prepara para gerir as expectativas internas sobre o futuro das relações diplomáticas e econômicas da nação insular com o continente europeu.

Fonte: pt.euronews.com