Justiça autoriza réus a acessarem dados de celulares ligados
O juiz José Mauro Nagib Jorge determinou que a defesa dos acusados pela morte do advogado Roberto Zampieri tenha acesso ao conteúdo de aparelhos apreendidos.
O magistrado José Mauro Nagib Jorge, titular da 11ª Vara Criminal Militar de Cuiabá, emitiu uma decisão permitindo que as partes envolvidas em um dos processos decorrentes da Operação Sisamnes acessem os dados e as conversas extraídas de telefones celulares apreendidos durante as investigações. A diligência está agendada para a próxima sexta-feira (28), nas instalações da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), na capital mato-grossense.
O caso em questão apura a responsabilidade pela execução do advogado Roberto Zampieri, ocorrida em dezembro de 2023, em Cuiabá. O crime, tratado pelas autoridades como um homicídio encomendado, vitimou um profissional que, segundo as investigações, atuava como lobista junto a magistrados do Poder Judiciário de Mato Grosso.
Entre os réus que figuram no processo estão o coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, o instrutor de tiro e despachante Hedilerson Fialho Martins Barbosa, além do pedreiro Antônio Gomes da Silva. As apurações indicam que o trio teria atuado diretamente na execução do advogado, crime que teria sido solicitado por terceiros.
Além dos acusados, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e representantes da família da vítima também estão autorizados a acompanhar o procedimento. A extração dos dados está marcada para as 14h e contará com a presença de um oficial de Justiça para garantir a lisura da diligência.
No texto da decisão, o magistrado ressaltou: “Considerando o pedido de acesso às mídias constantes do HD vinculado ao presente processo, determino que a extração dos dados seja realizada no dia 28 de agosto de 2026, às 14h00min, nas dependências da Politec-MT”. A medida assegura às partes o direito de obter uma cópia integral das informações telemáticas coletadas.
O acesso a esse material é considerado fundamental para o desdobramento do processo. Vale lembrar que parte das investigações sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais teve origem justamente na quebra do sigilo telefônico de Roberto Zampieri, realizada logo após o seu falecimento. O conteúdo encontrado no celular da vítima forneceu subsídios para que a Polícia Federal aprofundasse as apurações sobre corrupção no Judiciário.
A Operação Sisamnes foi deflagrada justamente a partir dessas descobertas, focando em suspeitas de negociação de sentenças e outros delitos correlatos. O assassinato de Zampieri, por sua vez, ocorreu em um cenário marcado por intensas disputas judiciais envolvendo propriedades rurais em Mato Grosso, área na qual o advogado mantinha contatos estratégicos.
Quanto aos suspeitos, Etevaldo Caçadini é apontado como um dos responsáveis pelo planejamento logístico do crime. As investigações também o associam a um grupo autodenominado “Comando C4”, cujo lema seria “Caça Comunistas, Corruptos e Criminosos”. O coletivo, que congrega policiais e militares, possui características paramilitares.
A gravidade do grupo chegou a ser comentada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante fases anteriores da Operação Sisamnes. Na ocasião, o ministro manifestou preocupação com o potencial de letalidade da organização, classificando o caso como de “gravidade extrema”.
Com a extração dos dados autorizada, espera-se que as defesas possam analisar o material de forma direta, utilizando os arquivos para a formulação de novos argumentos e estratégias dentro da ação penal em curso.
Fonte: midianews.com.br