O legado da Usina Itaicy e a trajetória política de Totó Pae
Localizada em Santo Antônio de Leverger, a histórica Usina Itaicy, fundada por Totó Paes em 1897, é um símbolo do passado econômico e político de Mato Grosso.
Localizada em Santo Antônio de Leverger, a histórica Usina Itaicy, fundada por Totó Paes em 1897, é um símbolo do passado econômico e político de Mato Grosso.
Situada às margens do rio, no município de Santo Antônio de Leverger, a Usina Itaicy permanece como um importante testemunho da trajetória histórica de Mato Grosso. Atualmente em estado de abandono, o local carece de uma intervenção mais efetiva, seja por parte do setor privado ou do poder público, para evitar que esse marco fundamental da memória regional seja completamente perdido.
A operação da unidade teve início no ano de 1897, sob a propriedade de Antônio Paes de Barros, amplamente conhecido como Totó Paes. O empreendimento era voltado à produção de açúcar e álcool, itens que abasteciam o mercado interno e também eram escoados através do rio Cuiabá, integrando a rota da hidrovia Paraguai-Paraná, com destino à Bacia do Prata e outras regiões.
A estrutura da Usina Itaicy era notável para a época, contando com alojamentos apropriados para os trabalhadores, cujas edificações ainda resistem ao tempo. O complexo possuía, inclusive, sua própria moeda, o que conferia à usina um grau de autonomia em relação ao controle governamental vigente.
Totó Paes, além de empresário, foi uma figura central na política mato-grossense. Devido às conjunturas daquele período, ele foi o nome escolhido por influentes lideranças, como Generoso Ponce e Joaquim Murtinho, para disputar o governo do estado, logrando êxito eleitoral com o respaldo desses grupos.
Contudo, a relação entre o governador e seus aliados começou a se deteriorar rapidamente após a posse. Totó Paes passou a buscar uma aproximação mais estreita com o então presidente Rodrigues Alves, no Rio de Janeiro, distanciando-se de figuras como Joaquim Murtinho, que, embora também residisse na capital federal, mantinha posições políticas divergentes das de Rodrigues Alves.
Essa busca por autonomia política por parte de Totó Paes gerou tensões crescentes. O desentendimento se agravou à medida que o governador se recusava a seguir as diretrizes das lideranças que o elegeram, especialmente no que dizia respeito à nomeação de cargos públicos, negando-se a contemplar aliados políticos em postos estratégicos da administração estadual.
O grupo que havia viabilizado sua ascensão ao poder, diante da postura independente e, por vezes, desafiadora de Totó Paes, passou a confrontar sua gestão, transformando o cenário político estadual em um campo de intensas disputas e rompimentos que marcaram a história da época.
Fonte: midianews.com.br