Palácio das Águias: a trajetória do sobrado histórico de
Conheça a história do Palácio das Águias, o primeiro sobrado de Cuiabá que transitou entre o luxo da elite e o meretrício. Confira agora os detalhes.
O Palácio das Águias ocupa um lugar singular na memória urbana de Cuiabá. Localizado originalmente às margens do Córrego da Prainha, na atual Avenida Tenente-Coronel Duarte, o edifício foi o primeiro sobrado erguido na região central durante o século XIX. Sua trajetória reflete as profundas transformações sociais e arquitetônicas da capital mato-grossense.
A história do Palácio das Águias
O nome da edificação surgiu como uma alusão ao Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, devido às esculturas de águias que adornavam sua fachada. O imóvel pertenceu ao comendador Henrique José Vieira, uma figura de grande influência e fortuna na época. Além de sua elegância colonial, o local servia como ponto de encontro para a elite cuiabana, sendo palco de bailes e reuniões sociais importantes.
Além disso, A relevância do sobrado estendia-se para além dos eventos festivos. Durante a Revolução de 1906, o Palácio das Águias serviu como um refúgio seguro para famílias aliadas ao comendador. Naquele período de instabilidade política, que culminou na deposição de Totó Paes, o prédio era visto como um espaço protegido e intocável pela sociedade local.
Após o falecimento do comendador, o destino do imóvel mudou drasticamente. Adquirido pelo empresário Alfredo de Campos, o sobrado passou a abrigar quartos alugados e tornou-se o principal cabaré da cidade. A transição marcou o início da Zona de Baixo Meretrício no centro de Cuiabá, consolidando o local na memória popular através de versos e relatos da época.
Portanto, A trajetória do edifício chegou ao fim na década de 1970. Entre os principais fatos que marcaram o declínio e a destruição do patrimônio, destacam-se:
A deterioração progressiva da estrutura após a mudança de uso do imóvel. A desapropriação pela prefeitura para a execução de obras na Avenida da Prainha. A demolição completa para viabilizar a canalização do córrego e a abertura da via. Para o historiador Francisco das Chagas, a perda do sobrado representa um prejuízo irreparável à identidade cultural da cidade. Ele destaca que a destruição de construções históricas compromete a transmissão da memória urbana para as futuras gerações. O local, situado entre o Morro da Luz e a Igreja do Rosário, é considerado um marco inicial da ocupação cuiabana.
Atualmente, a área integra o entorno do Conjunto Arquitetônico tombado pelo Iphan em 1992. Embora existam planos para a criação de espaços como o Largo do Rosário, a ausência de projetos concretos mantém a memória do Palácio das Águias viva apenas através de registros históricos. Para mais últimas notícias sobre o patrimônio mato-grossense, acompanhe nossas atualizações.
Fonte: midianews.com.br