Tribunal de crimes de guerra gera protestos no Kosovo
Polícia do Kosovo usa gás lacrimogêneo contra manifestantes que pedem limites ao tribunal de crimes de guerra. Confira agora os detalhes do conflito.
A polícia do Kosovo utilizou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar manifestantes que protestavam em frente ao parlamento na última segunda-feira. O conflito eclodiu após o encerramento de uma sessão legislativa que falhou em aprovar um projeto de lei destinado a restringir as competências do tribunal de crimes de guerra do país.
Centenas de pessoas ocuparam o entorno do edifício durante todo o dia, com o objetivo de impedir a saída dos parlamentares. Quando a sessão foi finalizada, o grupo tentou romper as barreiras policiais, resultando em um confronto direto entre as forças de segurança e os manifestantes.
Tensões sobre o tribunal de crimes de guerra
Durante o embate, a multidão lançou petardos e diversos objetos contra os agentes, além de incendiar lixeiras próximas ao parlamento. A polícia respondeu com o uso de veículos blindados e jatos de água para conter a agitação que durou várias horas. A situação reflete a profunda insatisfação popular com as decisões judiciais recentes.
O descontentamento da população está ligado à condenação do ex-presidente Hashim Thaci e outros líderes da guerrilha no mês passado. Eles foram considerados culpados por crimes cometidos durante a guerra de independência contra a Sérvia, na década de 1990. Para muitos no Kosovo, esses homens são vistos como heróis nacionais.
As principais motivações do protesto incluem:
A rejeição à condenação de figuras históricas da independência. A exigência de limitação dos poderes das Câmaras Especiais do Kosovo (KSC). A tentativa de impedir que o tribunal julgue crimes de guerra e contra a humanidade. O projeto de lei em questão chegou a ser aprovado em primeira leitura, mas não avançou para a promulgação final. A proposta visava retirar das KSC, sediadas em Haia, a autoridade para julgar crimes ocorridos durante o conflito entre guerrilheiros albaneses e forças sérvias. Dessa forma, a jurisdição seria restrita apenas ao período pós-guerra.
Partidos de oposição e grupos de veteranos de guerra mantêm uma postura crítica constante em relação às Câmaras Especiais. Eles argumentam que o tribunal atua de forma injusta contra aqueles que lutaram pela soberania do país. Portanto, o impasse político permanece como uma ferida aberta na sociedade kosovar.
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Fonte: pt.euronews.com