Professor afastado da UFMT recorre à OAB contra advogado de
Docente e sua esposa acusam o advogado da estudante de vazar documentos sigilosos à imprensa; caso envolve denúncias de importunação sexual e perseguição.
O professor Saulo Tarso Rodrigues, afastado de suas funções no curso de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), protocolou, em conjunto com sua esposa, Josete Maria da Silva, uma representação junto ao Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT). O alvo da medida é o advogado Yuri Machado, responsável pela defesa da estudante que acusa o docente de assédio sexual e perseguição.
A petição sustenta que o defensor estaria compartilhando com veículos de comunicação prints e documentos que integram o processo, o qual tramita sob segredo de justiça. O casal argumenta que a conduta ultrapassa os limites da defesa técnica, expondo informações sensíveis e dados pessoais, incluindo o endereço residencial da família do professor.
De acordo com os representantes, a divulgação de materiais que deveriam ser restritos levanta questionamentos sobre a origem dos arquivos. Eles buscam esclarecer quem teria tido acesso aos documentos, quem realizou as capturas de tela e se houve participação direta ou indireta da parte acusadora ou de seu representante legal no fornecimento desses elementos à imprensa.
A representação enfatiza que o objetivo não é cercear a liberdade de imprensa ou o direito de defesa, mas sim apurar se houve violação das normas éticas da advocacia. O casal questiona o impacto dessa exposição pública, sugerindo que a divulgação antecipada de detalhes do caso poderia configurar uma tentativa de promover um julgamento público antes mesmo da conclusão das investigações oficiais.
O caso ganhou repercussão após a aluna relatar à Polícia Civil uma série de comportamentos impróprios por parte do docente, iniciados em fevereiro de 2026. Entre as alegações, constam convites insistentes para encontros, tratamento diferenciado em sala de aula e episódios de contato físico não consentido, incluindo um incidente em que o professor teria tocado a perna da estudante durante uma aula.
Além das denúncias de importunação, a estudante relatou uma perseguição persistente, mesmo após ter bloqueado o contato do professor. Segundo o histórico do processo, o docente teria utilizado o telefone de sua mãe, de 73 anos, para enviar mensagens, além de realizar abordagens por outros meios digitais. A esposa do professor também teria entrado em contato com a jovem após localizar o número dela no celular do marido.
Em decorrência das denúncias, o juiz Marcos Terencio Agostinho Pires, do plantão criminal de Cuiabá, impôs uma medida cautelar proibindo o professor de se aproximar da aluna, de seus familiares e de testemunhas do caso. A UFMT também instaurou um procedimento na Corregedoria e determinou o afastamento cautelar do docente, que chegou a ser preso no início de agosto por descumprimento de medida protetiva, sendo liberado no dia 1º de setembro.
Em sua defesa enviada à Corregedoria da universidade, Saulo Tarso Rodrigues negou todas as acusações, classificando a relação com a aluna como estritamente profissional e cordial. Ele contestou a integridade dos registros digitais apresentados pela estudante, afirmando que não partiu de seu aparelho qualquer mensagem de cunho amoroso.
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) segue acompanhando o desenrolar das investigações. Questionado sobre a representação na OAB, o advogado Yuri Machado declarou que ainda não foi formalmente intimado, mas que prestará todos os esclarecimentos necessários assim que for notificado. Por sua vez, a OAB-MT informou que os processos no Tribunal de Ética tramitam sob sigilo, com os resultados sendo disponibilizados ao público apenas após o julgamento final.
Fonte: rdnews.com.br