Casas Russas: Moscou troca Alemanha por expansão na África
A Rússia expande a rede de Casas Russas na África após fechamentos na Europa. Entenda a estratégia diplomática e os impactos geopolíticos. Confira agora.
Casas Russas — A Rússia está redirecionando sua estratégia de influência cultural, trocando a presença na Europa pela expansão em países africanos, além da Tailândia e Armênia. Após o encerramento da principal "Casa Russa" em Berlim, que operava há quatro décadas, a agência estatal Rossotrudnichestvo firmou acordos para abrir 11 novas unidades. O movimento ocorre em um momento de acentuada deterioração das relações diplomáticas entre Moscou e o Ocidente.
Expansão das Casas Russas na África
Igor Chaika, atual chefe da Rossotrudnichestvo, defende que os novos institutos visam projetar uma imagem moderna e eficaz do país. Contudo, críticos e autoridades europeias classificam essas estruturas como ferramentas de propaganda, influência política e coleta de inteligência. A iniciativa é vista como uma tentativa de compensar a perda de espaços na Europa, onde centros foram fechados sob acusações de ameaça à segurança nacional.
O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha ordenou o fechamento da unidade em Berlim e do consulado em Bonn em setembro, citando atos de sabotagem no aeroporto de Leipzig. O Kremlin nega as acusações, tratando-as como pretextos fabricados. Desde 2022, países como Eslovênia, Romênia e Moldova também encerraram as atividades de centros russos em seus territórios.
A nova rede de centros parceiros será implementada nos seguintes locais:
Quênia, Senegal e Togo; Mali, Serra Leoa e Madagáscar (com segundas unidades); República Democrática do Congo e São Tomé e Príncipe; Tailândia e Armênia. A instalação de novas unidades na Armênia, especificamente em Artashat e Ashtarak, chama a atenção devido ao afastamento político de Erevan em relação a Moscou. Diferente das representações oficiais, esses centros operam frequentemente por meio de organizações não-governamentais locais. Para mais informações sobre o cenário geopolítico global, consulte a nossa categoria de notícias.
Igor Chaika, que assumiu o comando da agência em abril de 2026, é uma figura controversa. Empresário e filho do ex-procurador-geral da Federação Russa, ele está sob sanções dos Estados Unidos e da União Europeia. Acusações de corrupção e interferência política marcam sua trajetória, incluindo alegações de envolvimento em projetos do FSB na Moldova.
A estratégia russa na África busca preencher o vácuo deixado pela França, que tem retirado tropas e reduzido sua influência no continente. Analistas apontam que a Rossotrudnichestvo atua em sintonia com os interesses militares de Moscou. Em alguns países, como Mali e República Centro-Africana, a presença cultural russa esteve historicamente ligada a empresas militares privadas, como o antigo Grupo Wagner e o atual "Corpo Africano".
Especialistas do grupo EUvsDisinfo alertam que a realocação de recursos visa formar líderes de opinião e influenciadores locais favoráveis ao Kremlin. Além da diplomacia cultural, agências de inteligência, como a da Ucrânia, sugerem que esses centros funcionam como pontos de apoio para atividades de espionagem e recrutamento. Dessa forma, a Rússia tenta contornar o isolamento imposto pelas sanções ocidentais, consolidando sua presença em mercados emergentes.
Fonte: pt.euronews.com