Dentista de Cuiabá tem condenação por tráfico mantida pelo
O STF negou recurso e manteve a pena de 16 anos de prisão para dentista de Cuiabá envolvida em tráfico. Confira agora os detalhes da decisão judicial.
dentista de Cuiabá — O Supremo Tribunal Federal (STF) negou um recurso e manteve a condenação da cirurgiã-dentista Mara Kenia Dier Lucas, de Cuiabá, a 16 anos e oito meses de reclusão. A profissional foi sentenciada pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. A decisão, assinada pela ministra Cármen Lúcia, foi publicada nesta segunda-feira (14).
Mara Kenia está detida desde maio de 2024, quando foi alvo da Operação Escamotes. A ação foi deflagrada pela Polícia Federal para desarticular um esquema de tráfico de entorpecentes e armas em Mato Grosso e outros estados. Ela é esposa do empresário Flávio Henrique Lucas, apontado como um dos líderes da organização criminosa, que também permanece preso.
dentista de Cuiabá
Inicialmente, a 1ª Vara Criminal de Barra do Garças condenou a dentista, em fevereiro de 2025, a 21 anos de prisão em regime fechado. Após recurso da defesa, a Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) reduziu a pena para 16 anos e oito meses, mantendo o regime fechado e o pagamento de multa.
A defesa buscou a anulação da sentença ou a absolvição no STF. Os advogados alegaram que não houve individualização adequada das condutas e que a dosimetria das penas foi realizada de forma conjunta. Além disso, sustentaram que Mara teria realizado transações bancárias e alugado veículos a pedido do marido, sem conhecimento de que seriam usados no tráfico.
A ministra Cármen Lúcia, contudo, destacou os seguintes pontos em sua decisão:
Parte dos argumentos não pôde ser analisada por falta de recurso tempestivo contra entendimentos de repercussão geral. O pedido de absolvição exigiria o reexame de provas, o que é vedado pela Súmula 279 do STF. Ficou comprovada a atuação direta da dentista na logística e no financiamento das operações criminosas. Segundo o acórdão do TJ-MT, a dentista participou ativamente da locação e custeio de veículos usados no transporte de drogas. Também foram identificados pagamentos de viagens e a participação da ré em reuniões onde a finalidade criminosa era discutida. As investigações apontaram a movimentação de cerca de R$ 490 mil por Mara durante o período monitorado.
O Tribunal de Justiça refutou a tese de que ela apenas gerenciava as finanças familiares. Para o colegiado, a participação foi consciente, envolvendo o pagamento de combustíveis, hospedagens e honorários advocatícios. A organização atuou por pelo menos seis meses, com divisão clara de funções entre os integrantes.
As investigações tiveram início em agosto de 2023, após a prisão em flagrante de um indivíduo transportando 40 quilos de entorpecentes em um fundo falso de veículo. A partir desse episódio, a polícia aprofundou as apurações sobre o esquema interestadual. Para mais detalhes sobre o caso, acesse a categoria de notícias.
A Justiça considerou comprovados três episódios distintos de tráfico por meio de laudos, interceptações telefônicas e contratos de locação. A Operação Escamotes cumpriu 21 mandados de busca e prisão em Cuiabá, Várzea Grande, Vitória da Conquista (BA) e Hidrolândia (GO), desmantelando um grupo que transportou toneladas de drogas e armas.
Fonte: midianews.com.br