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Tragédia no Nepal e Tibete: mortes chegam a 500 e buscas por

Com o número de vítimas fatais próximo de 500, equipes de resgate buscam mais de 1.500 desaparecidos após colapso glaciar na fronteira entre o Nepal e o Tibete.

As operações de busca e salvamento seguem em ritmo intenso na região fronteiriça entre o Nepal e o Tibete, onde mais de 1.500 pessoas permanecem desaparecidas após inundações repentinas e deslizamentos de terra de grandes proporções. Embora a China tenha chegado a suspender temporariamente os trabalhos devido ao risco iminente de novos alagamentos, as atividades foram retomadas para localizar sobreviventes em uma área onde, apenas no lado chinês, mais de 500 indivíduos estão sumidos, incluindo 260 estrangeiros.

No território nepalês, o cenário é igualmente grave. O balanço oficial da polícia local aponta para 475 mortes confirmadas. Além disso, 910 pessoas, entre as quais 517 turistas, não foram localizadas. Pequim informou ainda que outros 100 cidadãos chineses, não contabilizados nas estatísticas nepalesas, também estão desaparecidos. Em relação aos portugueses, o Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou que dois irmãos foram encontrados com vida, somando-se a outro cidadão resgatado anteriormente. Contudo, o governo reportou o desaparecimento de mais três portugueses, elevando o total de nacionais incontactáveis para três.

Especialistas alertam para a possibilidade de novos desastres, descrevendo o evento como uma parede de gelo e lama que agiu de forma semelhante a um tsunami, devastando vilarejos, destruindo infraestruturas como pontes e barragens, e arrastando veículos. Entre os desaparecidos, destacam-se turistas e peregrinos hindus que se dirigiam ao Monte Kailash, no Tibete. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) atribuiu o desastre ao colapso de um glaciar, um fenômeno que cientistas associam ao degelo acelerado provocado pelas mudanças climáticas.

Relatos de sobreviventes descrevem a área como um cenário desolador. Omkar Joshi, um agente aduaneiro de 35 anos resgatado em Timure, descreveu o local como um "imenso cemitério" coberto por detritos ensopados de sangue. As equipes de socorro, auxiliadas por cães farejadores, enfrentam condições extremas para encontrar corpos soterrados. A lista de estrangeiros desaparecidos é vasta, englobando cidadãos de países como Índia, Estados Unidos, Austrália, Reino Unido, Malásia, Países Baixos, África do Sul e Coreia do Sul.

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, visitou a região para supervisionar os esforços de socorro, enquanto o primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, solicitou assistência imediata às famílias desabrigadas e a desobstrução urgente das vias bloqueadas. A historiadora ambiental Ruth Gamble, da Universidade La Trobe, classificou o fluxo de detritos como um "tsunami interior" que percorreu cerca de 170 quilômetros em direção ao sul.

O líder espiritual Dalai Lama manifestou solidariedade às vítimas através de orações. Enquanto isso, o governo chinês mobilizou cerca de 800 operacionais, lanchas rápidas e cães de busca para reforçar a resposta ao desastre. O USGS esclareceu que o evento foi inicialmente confundido com um sismo de magnitude 4,4, mas a análise sísmica confirmou que se tratou de um colapso glaciar com impacto catastrófico a jusante.

O temor de uma segunda onda de cheias persiste, uma vez que detritos bloqueiam o curso de rios na fronteira, criando represamentos perigosos. Qianggong Zhang, do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas, alertou para a instabilidade da região. A Divisão de Previsão de Cheias de Catmandu emitiu um aviso especial sobre o risco de rompimento de lagos formados atrás dos deslizamentos.

O líder espiritual indiano Sadhguru, visivelmente emocionado, relatou que muitos devotos hindus foram surpreendidos pelo desastre em um posto de imigração enquanto retornavam de uma peregrinação. Ele descreveu a situação como um acontecimento extraordinário e terrível, enquanto as autoridades locais e internacionais continuam a coordenar esforços para lidar com a crise humanitária em curso.

Fonte: pt.euronews.com