Ciberataques: UE gasta bilhões sem verificar eficácia do
A UE investiu 1,4 bilhão de euros em defesa contra ciberataques, mas auditores alertam para falta de controle. Confira agora os detalhes do relatório.
A União Europeia destinou 1,4 bilhão de euros para fortalecer a defesa do bloco contra ciberataques , mas a eficácia desse investimento permanece incerta. Segundo auditores do Tribunal de Contas Europeu (TCE), não há uma verificação adequada sobre o destino final desses recursos, levantando preocupações sobre a possível exposição a Estados hostis.
O relatório, divulgado na última segunda-feira, analisou o período entre 2022 e 2025. O documento aponta que o Centro Europeu de Competências em Cibersegurança, responsável pela supervisão das subvenções, falha ao não auditar as avaliações de controle feitas pelos próprios beneficiários do financiamento.
Falhas no escudo contra ciberataques da UE
Essa ausência de fiscalização coloca em risco infraestruturas críticas, dados operacionais e tecnologias essenciais para a segurança do bloco. O montante faz parte do programa "Europa Digital", que é o principal pilar orçamentário para a cibersegurança entre 2021 e 2027. Além disso, a auditoria revelou que o sistema de alerta precoce da UE ainda não está operacional.
Os centros ATHENA e ENSOC, fundamentais para o Sistema Europeu de Alerta de Cibersegurança, enfrentam atrasos significativos. A falta de normas técnicas e de acordos de cooperação impede que a rede funcione conforme o planejado. Para mais detalhes sobre o cenário tecnológico, consulte nossa categoria de tecnologia.
George-Marius Hyzler, membro do TCE, destacou que, embora existam progressos, o sistema carece da eficácia necessária. O relatório identifica como principais problemas:
A fragilidade na partilha de informações entre os Estados-membros. A falta de definição formal na colaboração entre as redes CSIRTs e a EU-CyCLONe. A duplicação de funções entre o centro de situação da Comissão Europeia e a ENISA. A partilha insuficiente de dados é descrita pelos auditores como o "calcanhar de Aquiles" de todo o sistema de defesa. Por outro lado, a implementação da Diretiva NIS 2 ainda ocorre de forma desigual entre os países, com leis nacionais que restringem o compartilhamento de informações estratégicas.
O TCE recomenda uma reestruturação urgente nos processos de monitoramento e na colaboração entre organismos. O sistema de alerta, previsto na Lei de Solidariedade Cibernética de 2025, deveria atuar como uma rede unificada em tempo real, mas ainda enfrenta obstáculos operacionais.
Recentemente, a Comissão Europeia propôs um novo pacote para revisar a Lei da Cibersegurança, visando proteger a cadeia de abastecimento contra países de alto risco. A partir deste mês, a Lei de Resiliência Cibernética impõe prazos rigorosos para a notificação de vulnerabilidades, sob pena de multas que podem chegar a 15 milhões de euros.
Portanto, a UE enfrenta o desafio de equilibrar o aumento do orçamento com a necessidade de controles mais rigorosos. A segurança coletiva depende, em última análise, da capacidade dos Estados-membros em superar barreiras burocráticas e integrar suas redes de resposta a crises. Você pode acompanhar as últimas notícias sobre o tema em nosso portal.
Fonte: pt.euronews.com