Uso de inteligência artificial por políticos gera polêmica
O uso de inteligência artificial por políticos cresce e causa preocupação com desinformação. Entenda o caso da Rússia e as novas leis. Confira agora.
O uso de inteligência artificial por políticos tem se tornado uma prática frequente, levantando debates sobre transparência e desinformação. Recentemente, a embaixada da Rússia na África do Sul publicou uma fotografia que exibia o presidente Vladimir Putin tirando uma selfie com líderes dos BRICS. A imagem, compartilhada na rede X, acumulou mais de 2 milhões de visualizações com a legenda afirmando que o grupo seria uma superpotência.
Contudo, a veracidade do registro foi rapidamente contestada. Nenhuma organização de imprensa confirmou a autenticidade da foto, e o site oficial da 18.ª cúpula dos BRICS, realizada em Nova Deli nos dias 12 e 13 de setembro, não a divulgou. Especialistas em verificação de fatos utilizaram detectores de imagem que confirmaram a origem sintética do conteúdo.
Riscos do uso de inteligência artificial por políticos
A análise técnica revelou inconsistências graves na imagem. Ferramentas da OpenAI identificaram uma marca d'água SynthID, indicando que a peça foi gerada por IA. Além disso, o slogan e o logotipo presentes na montagem divergem dos materiais oficiais do evento. Enquanto o tema real da cúpula focava em resiliência e inovação, a imagem falsa trazia um lema diferente, sem qualquer aviso sobre a natureza artificial do arquivo.
Este cenário não é isolado e reflete uma tendência preocupante de figuras públicas utilizarem tecnologias de geração de imagem sem a devida identificação. A falta de transparência nessas comunicações pode comprometer a confiança do público nas instituições. Confira outras últimas notícias sobre tecnologia e política.
Diversos casos ilustram como essa estratégia é aplicada:
O político português André Ventura publicou um vídeo gerado por IA com erros anatômicos, como uma mão com seis dedos, para promover narrativas anti-imigração. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem utilizado frequentemente imagens e vídeos sintéticos em suas redes sociais. Estudos da organização AI Forensics apontam que partidos de direita e extrema-direita utilizam a tecnologia para reforçar mensagens de campanha. A pesquisa da AI Forensics, focada nas eleições municipais francesas, destacou que a IA é empregada tanto para criar fotos realistas quanto ilustrações estilizadas. O objetivo principal é reforçar narrativas políticas específicas, muitas vezes sem qualquer aviso explícito ao eleitorado, mesmo quando as ferramentas de criação inserem marcas d'água automáticas.
Diante desse cenário, a legislação internacional busca reagir. Desde agosto de 2026, a Lei da IA da União Europeia exige que conteúdos realistas gerados ou manipulados por inteligência artificial sejam claramente rotulados. A norma determina que fornecedores garantam a identificação de deepfakes e materiais que tratem de questões de interesse público, visando proteger a integridade do debate democrático.
Fonte: pt.euronews.com